A Rede Social de Cascais promoveu, a 13 de janeiro, o workshop “Cascais, território relacional – que desafios temos?”, um encontro que colocou as relações humanas no centro da reflexão sobre a coesão social, o bem-estar e o futuro do território.
A iniciativa reuniu 47 atores locais, num espaço de pensamento, diálogo e partilha que marcou um ponto de partida para pensar Cascais enquanto comunidade relacional.
Integrado no plano de formação RS Capacita 2026, o workshop decorreu no DNA Cascais e foi dinamizado por Rui Marques, do Relational Lab, desafiando os participantes a refletirem sobre o papel central das relações na vida das pessoas, das organizações e das comunidades, num contexto social cada vez mais complexo, incerto e exigente.
Na abertura do workshop, Susana Graça, Chefe de Divisão de Planeamento e Rede Social da Câmara Municipal de Cascais, deu as boas-vindas aos presentes, sublinhando a relevância deste encontro enquanto catalisador de uma reflexão conjunta sobre o futuro do território. Destacou a necessidade de, em rede, se pensar e construir um Cascais mais relacional, reforçando que a qualidade das ligações entre pessoas, instituições e comunidades é um fator determinante para respostas sociais mais eficazes e para um território mais coeso e humano.

Do inverno relacional à cidade relacional
Desafios para pensar e agir no território de Cascais
Ao longo da manhã, o conceito de Inverno relacional serviu de ponto de partida para a reflexão, alertando para os riscos da fragilização das ligações humanas num contexto marcado pela incerteza, pela complexidade e pela crescente ansiedade social. Ficou patente que a coesão social exige um trabalho contínuo de ligação — entre pessoas, organizações e comunidades — e que a qualidade das relações é um fator determinante para o desenvolvimento humano e para a eficácia das respostas colaborativas no território.
Foi sublinhada uma ideia estruturante: no princípio está a relação. Antes de qualquer resposta técnica ou organizacional, é a relação que sustenta a confiança, a cooperação e o sentido de pertença. Reforçar a qualidade das relações é, por isso, uma condição essencial para evitar a rutura social e promover comunidades mais resilientes.


A reflexão destacou ainda que uma boa vida se mede, sobretudo, pela qualidade das relações que estabelecemos. Ter ligações sociais significativas contribui de forma decisiva para a saúde física, mental e emocional; relações positivas fortalecem não apenas o corpo, mas também o cérebro e a capacidade de enfrentar adversidades.
Neste enquadramento, o conceito de capital relacional é entendido como o valor gerado pelas redes de relações — pessoais, profissionais, comunitárias e institucionais — traduzindo-se na capacidade de mobilizar confiança, colaboração e reciprocidade para alcançar objetivos comuns. Ficou claro que comunidades com relações fortes são comunidades mais capazes de responder aos desafios sociais, económicos e humanos do seu tempo. Os relacionamentos humanos — entre pessoas, instituições e lugares — afirmam-se, assim, como o fundamento de uma sociedade saudável, resiliente e produtiva.
O que já fazemos bem na construção de capital relacional
Experiências em Cascais
Outro momento central do workshop deu visibilidade a práticas existentes no concelho em diferentes áreas de intervenção.
Participaram representantes da Educação (Gabriela Moreira, Diretora do Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo de Azevedo), da Intervenção comunitária, pessoas em situação de sem abrigo e migrantes (Catarina Carvalho, Câmara Municipal de Cascais), da Saúde (Duarte Vital Brito, Médico Especialista em Saúde Pública) e do Envelhecimento (Paula Guimarães, consultora da Plataforma Envelhecer Melhor). As experiências partilhadas evidenciaram que Cascais já desenvolve respostas que promovem proximidade, cuidado e ligação, reforçando a importância de as reconhecer, valorizar e articular em rede.

Como fazer de Cascais um território de relações mais fortes?
Seguiu-se um momento de trabalho em grupos, centrado na reflexão sobre como fortalecer as relações no território, promovendo a participação ativa dos presentes na identificação de desafios e caminhos possíveis. Esta reflexão consolidou a visão de que os grandes problemas urbanos — como a solidão, a desigualdade, a fragilidade económica ou o isolamento social — só podem ser enfrentados se as relações humanas forem colocadas no centro do planeamento, da intervenção social e da governação local.






Melhores relações para melhor Cascais
O workshop evidenciou, de forma clara, a visão de cidade relacional, entendida não como um conceito arquitetónico, mas profundamente social. Uma cidade relacional é aquela que cria condições para viver em família, cuidar uns dos outros, pertencer, colaborar e construir um futuro partilhado. Um território onde os espaços físicos, as políticas públicas e as respostas sociais existem para servir as relações e facilitar encontros humanos significativos entre pessoas, gerações, instituições e comunidades.
Este encontro representou, assim, um primeiro momento de sensibilização para a importância da qualidade relacional enquanto eixo estratégico da ação em rede no concelho, reforçando o compromisso da Rede Social de Cascais com uma atuação colaborativa e orientada para o desenvolvimento humano, colocando as relações no centro da construção de um território mais coeso, solidário e sustentável.








