A iniciativa, que contou com a presença do Vereador Pedro Morais Soares, reuniu profissionais e munícipes na construção de soluções de Co-housing. O evento decorreu na sequência do projeto europeu Erasmus+ ‘Cohousilience’ e contou com o apoio técnico da especialista Bárbara Cordeiro.
A Rede Social de Cascais, reafirmando o seu papel na promoção de ideias inovadoras junto dos profissionais das suas organizações membros, dinamizou no passado dia 20 de abril um dia de trabalho dedicado ao co-housing e co-living. A iniciativa, que teve lugar no Centro de Artes e Ofícios Atelier Carlos Botelho, focou-se em modelos habitacionais que privilegiam e promovem o equilíbrio entre o espaço privado e a vida em comunidade. A abertura da sessão foi realizada pelo Vereador Pedro Morais Soares, que sublinhou a importância de Cascais se manter na linha da frente da inovação social, acompanhando de perto as tendências europeias.


Um projeto de dimensão europeia
Respondendo a um desafio lançado pela Associação Animam Viventem | Vida+Viva, a Rede Social de Cascais aproveitou a oportunidade para explorar conceitos de vanguarda numa fase em que Portugal ainda dá os primeiros passos nestas soluções. O projeto europeu “Cohousilience: developing co-housing in the EU for forward-looking societies”, co-financiado pela União Europeia (novembro de 2023 a abril de 2026), no qual a Associação Animam Viventem participou como entidade parceira, a convite da Cooperativa Sociale F.A.I. (Itália), juntamente com outras seis organizações europeias, teve como objetivo explorar como modelos de habitação mais colaborativos podem responder a desafios sociais urgentes, como a crise na habitação, o isolamento social e a pegada ambiental. No âmbito deste projeto foi criando o “CohoUsing handBook – Building Communities” que apresenta vários exemplos de co-housing implementados pelas organizações do Projeto e que serviram de exemplo e fonte de inspiração para este dia de trabalho.

Do conceito à prática: metodologia Design Thinking
Após um momento de quebra-gelo para promover a coesão, a sessão teve início com a contextualização do modelo Co-housing — uma “comunidade intencional” onde a partilha de recursos e o apoio mútuo são os pilares centrais.
Tendo por base a metodologia de Design Thinking, os participantes foram desafiados a definirem personas específicas para os modelos de co-housing que iriam construir de seguida. Tendo por referência os públicos, problemáticas e áreas em que trabalham deveriam criar um (ou mais) perfil de residente para os seus modelos de co-housing, os quais poderiam ser direcionados para:
- Pessoas seniores e envelhecimento ativo;
- Modalidades intergeracionais;
- Jovens em início de vida adulta;
- Pessoas/grupos em situação de vulnerabilidade;
- Entre outras possibilidades.


Modelos 3D: materializar o futuro
Organizados em 5 grupos, profissionais e munícipes, definiram os seus modelos de co-housing tendo por referência as seguintes indicações:
- Quem vive nesta comunidade?
- Quais as necessidades da comunidade (necessidades práticas, sociais, económicas, de serviços de apoio)?
- Quais os espaços da comunidade (espaços privados e espaços comuns)?
- Como são tomadas as decisões?
- Qual a relação com o bairro (o cohousing está fechado sobre si próprio ou ligado à comunidade)?
- Qual o modelo de gestão?
- Que preocupações ambientais e sustentáveis?

Depois de escolhido e definido o modelo nas suas diversas vertentes, foi altura de passar à construção de protótipos. Utilizando diversos materiais, cada grupo recriou em 3D o esboço daquilo que poderia ser o modelo de Co-housing ideal para a sua persona. Esta abordagem contou com o suporte técnico de Bárbara Cordeiro, gerontóloga da COOPERA Consultoria para Habitação Colaborativa e permitiu pensar não só na arquitetura física (espaços comuns, cozinhas, jardins), mas também na “arquitetura social” (processos de decisão e redes de entreajuda).
As propostas apresentadas foram:
- “Comunidade Vizinhos com Tempo”: Dirigido a pessoas em vulnerabilidade, mas empregadas. Inclui um banco de tempo comunitário e gestão micro decidida em comunidade. Prevê fontes de rendimento como hostel social e hortas.
- “Habita Jovem”: Focado na transição para a vida autónoma (18-30 anos). Propõe habitação acessível com rendas indexadas ao rendimento e espaços comuns de lazer, ginásio e lavandaria.
- “Programa Rede 25 “Villa Feliz”: Projeto intergeracional para estudantes e pessoas com mais de 67 anos. Foca-se na autonomia, companhia e partilha de saberes, com gestão de uma IPSS.
- “Cool Comunidade”: Para jovens com ou sem incapacidade e famílias monoparentais. Integra serviços de sustentabilidade como horta, mercearia de produtos próprios e espaços de co-work.
- Modelo de Apoio e Vigilância: Modelo onde estudantes (com habitação acessível e voluntariado) convivem com 80% de idosos, servindo como rede de vigilância e combate à solidão.
Bárbara Cordeiro, no final da iniciativa, destacou que os modelos habitacionais colaborativos estão a ganhar força quer pela sua abrangência e quer pelo facto de permitirem diferentes contextos. Salientou cinco aspetos chave: comunidades intencionais, equilíbrio entre o privado e o comum, gestão participativa, sustentabilidade e envelhecimento ativo/intergeracionalidade.
Para a especialista, a iniciativa foi um sucesso, parabenizando a Rede Social de Cascais pela abordagem em explorar modelos habitacionais mais abrangentes.

No encerramento, o Vereador Pedro Morais Soares congratulou a Rede Social de Cascais pela dinâmica desenvolvida e aos profissionais e munícipes pela qualidade das apresentações. Afirmou que cabe agora ao município avaliar o melhor modelo que vá ao encontro de todas as pessoas, vendo este projeto como uma resposta a ser criada no território.
Em Rede, construímos comunidades mais fortes.
















