Intervenção em rede protege vítimas em situação de risco elevado durante a pandemia

21 de Setembro de 2020
helenabonzinho

A intervenção em rede entre serviços de atendimento, casas abrigo e instituições judiciais permitiu garantir direitos a vítimas de violência doméstica que apresentavam um risco elevado durante a pandemia em Cascais.

Fazendo um balanço do ano de 2020 , Mário Silva e Carolina Gomes, técnicos dos serviços especializados no atendimento a vítimas de violência doméstica, Espaço V e APAV, respetivamente, destacam a importância da articulação com as forças de segurança, serviços do Ministério Público e rede nacional de Casas Abrigo para garantir que os “direitos das vítimas não são colocados em quarentena” como afirma Carolina Gomes.

Situações mais complexas

As situações urgentes ou de elevado risco carecem de intervenção imediata. No caso do Espaço V houve “situações que não recolheram encaminhamento para casa abrigo, uma vez que foi possível em estreita colaboração com o sistema judicial (quer polícias, quer Ministério Público) encontrar medidas de proteção para as vítimas . Quantos aos casos acompanhados pelo Espaço V, foram decretadas 2 prisões preventivas e 4 afastamentos de residência e proibição de contactos com vigilância eletrónica” explica Mário Silva.

“Temos assistido a uma maior complexificação das situações, quer no que se refere ao nível de risco apresentado , quer em termos sociais, sendo cada vez mais desafiante encontrar respostas ao nível do emprego e e habitação, fundamental para quem se encontra num processo de autonomização”, alerta Carolina Gomes

Reforço ao atendimento à distância

Quando foi decretado o estado de emergência houve uma redução no número de novos atendimentos. Mas ambos os serviços apostaram no reforço do apoio à distância: telefone , email e videochamada estiveram ao dispor das pessoas que buscavam apoio pela primeira ou que já estavam em acompanhamento por estes serviços.

Aumento das queixas com o desconfinamento

Com o fim das restrições ao contacto social e à mobilidade, a APAV regista uma tendência de aumento nos pedidos de apoio, algo que se vem verificando de ano para ano. O Espaço V já vai com 28 novos casos, desde o início do desconfinamento. Mário Silva destaca que 3 dos novos casos referem-se a homens vítimas de violência doméstica.

Projeto préVio

A importância da prevenção- Projeto préVio

A missão da rede das organizações parceiras que atuam nesta área envolve a intervenção de apoio às vítimas mas também ações de prevenção e sensibilização da comunidade para este crime e alterar comportamentos agressivos.

O projeto préVio resulta de uma parceria do Fórum Municipal de Cascais contra a Violência Doméstica, com os Agrupamentos de Escolas da Parede e da Alapraia e desenvolve de forma continuada ações de prevenção contra a violência, ao longo do ano letivo.

O meio escolar é o contexto preferencial para abordar outras formas de violência como o bullying e a violência no namoro e para detetar crianças e jovens vítimas ou expostas a situações de violência doméstica, “reforçando as redes de suporte entre alunos/as , pessoal docente e não-docente e encarregado/as de educação” refere Isabel Batista, consultora do projeto préVio.

Decréscimo sentido na violência física e emocional

Os intervenientes neste projeto identificam impactos significativos no quotidiano da escola como um decréscimo sentido da violência física e emocional , maior capacidade de deteção e intervenção de casos de violência, maior conhecimento dos recursos locais, maior capacidade de discutir com os jovens as causas dos comportamentos violentos e ter havido a possibilidade de manter atividades à distância, mantendo o trabalho colaborativo mesmo quando as aulas presenciais ficaram suspensas.

Projeto préVio

O projeto préVio é uma iniciativa inscrita no Plano de Iniciativas de Desenvolvimento Social 2020-2023 e contribui para a execução da Medida 3.10 “Educação para a Cidadania”